Textus Receptus – Stephanus 1550

Robert Estienne (conhecido como Stephanus) (1503–1559) editou e imprimiu quatro edições do Textus Receptus entre 1546 e 1551. Sua terceira edição, de 1550, foi a primeira a apresentar um aparato crítico, com referências à Poliglota Complutense e a quinze manuscritos gregos adicionais. A quarta edição, de 1551, manteve o mesmo texto grego da terceira, mas é especialmente notável por ter introduzido a divisão dos livros do Novo Testamento em capítulos e versículos, sistema que permanece em uso até os dias de hoje.

Robert nasceu em Paris, sendo o segundo filho do famoso impressor humanista Henri Estienne (o Velho). Desde cedo, familiarizou-se com as línguas antigas. Após a morte de Henri, em 1520, a tipografia foi mantida por seu antigo sócio Simon de Colines, que também se casou com a mãe de Robert, a viúva Estienne. Em 1526, Robert assumiu o controle da tipografia de seu pai, enquanto de Colines estabeleceu sua própria empresa nas proximidades.

Em 1539, Robert Estienne recebeu o distinto título de “Impressor em Grego do Rei”. Contudo, o reconhecimento oficial e o apoio da Coroa não foram suficientes para livrá-lo da censura e da oposição incessante dos teólogos. Em 1550, para escapar da violência de seus perseguidores, ele emigrou para Genebra, onde estabeleceu sua própria casa impressora.

Com o título de “tipógrafo real”, Estienne tornou o estabelecimento parisiense famoso por suas numerosas edições de obras gramaticais e outros livros didáticos. Muitas delas, especialmente as edições gregas (impressas com tipos criados por Claude Garamond), tornaram-se célebres por sua elegância tipográfica. Robert também imprimiu inúmeras edições de clássicos latinos, dentre as quais talvez a mais notável seja o Virgílio em fólio de 1532. Além disso, publicou grande quantidade de gramáticas latinas e outras obras educacionais, muitas escritas por Maturin Cordier, seu amigo e colaborador na causa do humanismo.

Em 1532, publicou o notável Thesaurus Linguae Latinae e, por duas vezes, publicou a Bíblia Hebraica completa: uma edição com o Comentário de Kimchi sobre os Profetas Menores, em 13 volumes in-quarto (Paris, 1539–1543), e outra em 10 volumes in-16º (Paris, 1544–1546). Ambas as edições são consideradas raras.

Ainda mais importantes são suas quatro edições do Novo Testamento Grego, publicadas em 1546, 1549, 1550 e 1551, sendo esta última impressa em Genebra. As duas primeiras estão entre os textos gregos mais elegantes conhecidos, chamados O mirificam. A terceira, um esplêndido exemplo de maestria tipográfica, é conhecida como Editio Regia. A edição de 1551 contém a tradução latina de Erasmo e a Vulgata; não é tão refinada quanto as três anteriores e é extremamente rara. Foi nessa edição que, pela primeira vez, se introduziu a divisão do Novo Testamento em versículos.

Ao chegar a Genebra, Estienne publicou uma defesa contra os ataques da Sorbonne. Em 1553, lançou a Bíblia em francês e diversas obras de João Calvino, incluindo a melhor edição da Institutio naquele mesmo ano. Sua notável edição da Bíblia Latina com glosas (1556) continha a tradução do Antigo Testamento por Santes Pagninus e a primeira edição da tradução latina do Novo Testamento de Teodoro Beza. Robert Estienne faleceu em Genebra.

Este artigo foi traduzido e adaptado a partir do texto original publicado no site Textus Receptus Bibles, no editorial “Stephanus”.

Fonte original:
TEXTUS RECEPTUS BIBLES. Stephanus.
Disponível em: https://www.textusreceptusbibles.com/Editorial/Stephanus

Acesso em: 17/01/2026


Postado no blogger por:

PR. Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia John Wycliffe — Pesquisador
São Bernardo do Campo – São Paulo, Brasil
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 Tradução, adaptação e edição: Pr. Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia Reformada John Wycliffe 

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