Constantino e a História das Escrituras Antes do Textus Receptus

 


Constantino e a História das Escrituras Antes do Textus Receptus

Introdução

O imperador Constantino, o Grande (c. 273-337 d.C.), é frequentemente apontado como uma figura central na história do cristianismo antigo. Embora ele não tenha criado a Bíblia nem estabelecido o cânon bíblico, suas ações tiveram um impacto duradouro sobre a Igreja e sobre a preservação dos manuscritos do Novo Testamento, que mais tarde seriam parte da tradição que culminou no Textus Receptus. 

Quem Foi Constantino?

Constantino nasceu em 27 de fevereiro de 273 d.C. em Naissus, no que hoje é a Sérvia. Tornou-se militar e, ao longo de sua carreira, viajou pelo Império Romano, chegando a conquistar Roma. Segundo relatos históricos, durante a campanha que o levaria à vitória, ele teve uma visão de uma cruz luminosa com as palavras “In hoc signo vinces” (“Com este sinal vencerás”), o que o levou a apoiar o cristianismo. 

Ele foi o primeiro imperador romano a professar o cristianismo e a permitir que a fé cristã fosse praticada livremente no império, acabando com as perseguições oficiais que persistiam havia séculos. 

O Édito de Milão (313 d.C.)

Um marco histórico durante o reinado de Constantino foi a assinatura conjunta do Édito de Milão, em 313 d.C., que declarou tolerância religiosa em todo o Império Romano. Essa mudança libertou a Igreja cristã da perseguição sistemática, permitindo que ela se organizasse, construísse igrejas e preservasse seus textos sagrados. 

Esse evento não criou novas Escrituras, mas garantiu que já existentes — como os evangelhos e cartas apostólicas — pudessem ser lidos, copiados e preservados sem medo de destruição oficial.

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O Concílio de Niceia (325 d.C.)

Em 325 d.C., Constantino convocou o Primeiro Concílio de Niceia, reunindo bispos de diversas regiões. O propósito central foi confrontar a controvérsia do arianismo, que negava a divindade plena de Cristo. O resultado importante foi a formulação do Credo Niceno, que estabeleceu a doutrina trinitária como norma ortodoxa para toda a Igreja cristã. 

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Mesmo que muitas tradições populares digam o contrário, o Concílio de Niceia não tratou da definição do cânon bíblico nem “criou a Bíblia”. Essa reunião foi teológica, não canônica. O que ele fez foi pôr de pé a unidade doutrinária acerca da natureza de Cristo, algo essencial para preservar a integridade das Escrituras em meio às controvérsias da época.

Constantinopla e a Preservação dos Manuscritos

Após Niceia, Constantino estabeleceu sua nova capital no local de Bizâncio, renomeado depois como Constantinopla. Essa cidade tornou-se um grande centro cultural e religioso por mais de mil anos.

Constantinopla também abrigou:

Bibliotecas importantes

Tradições manuscritas gregas

Centros de estudo e cópia textual

Essa preservação foi particularmente relevante para o texto bizantino do Novo Testamento, que viria a formar a base dos manuscritos usados posteriormente no Textus Receptus. 

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O Legado de Constantino na Tradição Textual Cristã

O reinado de Constantino marcou um ponto de virada para a Igreja cristã ao:

Encerrar perseguições imperiais, permitindo que os textos sagrados fossem preservados e copiados livremente

Estabelecer concílios que fortaleceram a ortodoxia cristã

Criar centros culturais (como Constantinopla) que ajudaram a manter viva a tradição manuscrita do Novo Testamento por séculos

Contribuir para um ambiente em que a Igreja pôde continuar amadurecendo sua compreensão da Escritura

Esse ambiente livre de perseguição institucional e com crescente estabilidade política foi parte de um longo processo que mais tarde possibilitou a coleta, impressão e padronização que culminaria no Textus Receptus entre os séculos XVI e XVII. 

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Conclusão: Constantino e as Escrituras Antes do Textus Receptus

Embora Constantino não tenha criado a Bíblia nem formalizado o cânon do Novo Testamento, seu impacto histórico foi profundo. Ao abrir um novo capítulo de liberdade para a fé cristã e fortalecer a Igreja institucionalmente, ele permitiu que as Escrituras fossem cada vez mais respeitadas, copiadas e transmitidas fielmente por gerações.

Assim, o Textus Receptus não é um ponto de partida da história bíblica — ele é parte de uma longa tradição que começou desde os apóstolos e que foi preservada mesmo diante de desafios, crises e, no passado, perseguições severas.

Fonte e Créditos

Este artigo foi traduzido e adaptado a partir do editorial “Constantine” publicado no site Textus Receptus Bibles.

Fonte original:

TEXTUS RECEPTUS BIBLES. Constantine.

Disponível em: https://www.textusreceptusbibles.com/Editorial/constantine

Acesso em:21 /01/2026

Postado no blogger por:

PR. Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia John Wycliffe — Pesquisador
São Bernardo do Campo – São Paulo, Brasil
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 Tradução, adaptação e edição: Pr. Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia Reformada John Wycliffe 


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