A Verdadeira História de Erasmo e do Textus Receptus (Os homens que escreveram o Textus Receptus)
A Verdadeira História de Erasmo e do Textus Receptus
Muitos estudiosos do texto crítico hoje querem fazer você acreditar que Erasmo era apenas um obscuro padre católico do interior, que tinha acesso apenas a um pequeno punhado de manuscritos para produzir o Textus Receptus. Isso está muito longe da verdade e representa uma difamação vergonhosa, numa tentativa fraca de encobrir a falta de integridade dos textos críticos produzidos por homens.
Desidério Erasmo nasceu em 1466, apenas 13 anos após a Queda de Constantinopla. Ficou órfão aos 9 anos de idade e foi criado em uma escola monástica dirigida pelo clero. A partir desse momento, Erasmo foi formado em um ambiente repleto de manuscritos e tornou-se proficiente em latim e grego.
Em 1492, Erasmo fez seus votos como cônego regular em Stein, no sul da Holanda, e foi ordenado sacerdote aos 25 anos. Pouco tempo após sua ordenação, recebeu o cargo de secretário do Bispo de Cambrai, devido à sua grande habilidade no latim e à sua reputação como homem de letras.
Posteriormente, estudou na Universidade de Paris, no Collège de Montaigu. Naquela época, a universidade era o maior centro de aprendizado escolástico da Europa. Depois, foi para a Inglaterra, onde estudou na Universidade de Oxford. Seu tempo na Inglaterra foi extremamente frutífero, pois ali formou amizades duradouras e influentes, nos dias do rei Henrique VIII, com grandes líderes do pensamento inglês: John Colet (Decano da Catedral de São Paulo), Thomas More (Lorde Chanceler da Inglaterra), John Fisher (bispo e teólogo inglês), Thomas Linacre (humanista renascentista e médico) e William Grocyn (professor de grego em Oxford).
Ele também obteve valiosas cartas de apresentação às Cortes Reais da Europa, o que lhe concedeu acesso a instituições em todo o continente que possuíam manuscritos bíblicos. Erasmo dominava a língua grega a ponto de compreender plenamente seu valor teológico. Ele viajou por toda a Europa examinando manuscritos e coletando variantes textuais. Em Turim, na Itália, foi examinado em teologia pela renomada universidade local e obteve seu Doutorado em Teologia.
Erasmo retornou à Inglaterra e, na Universidade de Cambridge, foi professor de teologia, permanecendo no Queens’ College entre 1510 e 1515. A maior parte de seu trabalho de colação das variantes gregas do Novo Testamento foi realizada nesse período. Quando finalmente se dispôs a escrever seu Novo Testamento Grego, necessitava apenas de um texto-base sobre o qual construir o fundamento do Textus Receptus.
Desidério Erasmo era um erudito e teólogo renomado. Foi sua edição do Novo Testamento Grego, publicada em 1516, que se tornou o fundamento do Textus Receptus. Seu objetivo inicial era produzir um texto grego paralelo a uma nova tradução latina para reformar o texto corrompido da Igreja Católica, mas acabou sendo o texto grego de Erasmo que se tornou a base das maiores Bíblias do mundo.
As informações sobre sua vida e carreira demonstram que ninguém estava mais qualificado para a tarefa de preservar a Palavra de Deus. Ele foi o homem certo, no tempo certo, no lugar certo.
Fatos Pouco Conhecidos Sobre Erasmo
Uma das críticas mais insistentes contra a Bíblia King James é a alegação de que seu texto grego, o Textus Receptus, seria inferior aos textos gregos alexandrinos. O ataque ao Textus Receptus não se concentra no texto em si, mas na pessoa de Desidério Erasmo. A suposição desses chamados estudiosos é que, se conseguirem desacreditar Erasmo, poderão desacreditar a KJV. Assim, voltam suas armas contra ele, atacando-o pessoalmente, e depois se acomodam em uma satisfação presunçosa, imaginando ter alcançado seu objetivo.
Fatos sobre Erasmo:
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Erasmo esteve cercado por manuscritos bíblicos desde sua infância, na década de 1460, até a publicação de seu texto grego em 1516 — mais de 40 anos. Ele trabalhou diretamente no texto por cerca de doze anos. “A preparação levou anos” (Durant, p. 283).
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Já em 1505, Erasmo escreveu a um amigo: “Sentar-me-ei diante da Sagrada Escritura com todo o meu coração e dedicarei a ela o resto da minha vida... Nestes três anos tenho trabalhado inteiramente no grego, e não apenas brincado com ele” (Froude, The Life and Letters, p. 87).
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Ele começou a trabalhar diretamente no texto muito antes de 1507. Froude afirma que, anos antes de o texto ser publicado, ele já estava sendo preparado: “Ele trabalhou nos manuscritos gregos por muitos anos. A obra aproximava-se da conclusão” (Froude, The Life and Letters, p. 93).
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Frederick Nolan, escrevendo em 1815, afirma que, além dos manuscritos que Erasmo possuía ou havia visto pessoalmente, ele reuniu leituras de toda a Europa por meio de suas amplas amizades. Erasmo observou: “Tenho um quarto cheio de cartas de homens eruditos...” (Froude, The Life and Letters, pp. 377, 394).
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Enquanto esteve na Itália, Erasmo passou todo o seu tempo “devorando bibliotecas”, segundo Durant, comparando códices em busca da leitura mais correta (Durant, p. 275; Mangan, pp. 275, 91). O próprio Erasmo afirmou: “Pode-se facilmente imaginar quanto da utilidade do meu trabalho teria faltado se meus amigos eruditos não tivessem me fornecido manuscritos” (Mangan, p. 241).
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Ao chegar a Basileia para supervisionar a impressão do Novo Testamento Grego, Erasmo chegou “carregado de livros e de abundantes anotações” (Rummel, Erasmus’ Annotations on the New Testament, p. 23).
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Sua coleção pessoal de manuscritos era tão vasta e valiosa que foi confiscada pela alfândega quando ele deixou a Inglaterra rumo ao continente, em 1514. Ele protestou dizendo que haviam roubado “o trabalho de toda a sua vida”. Os manuscritos foram devolvidos poucos dias depois (Froude, p. 169).
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Críticos afirmam frequentemente que “Erasmo não possuía os manuscritos que temos hoje”. Na realidade, ele teve acesso a todas as leituras hoje existentes e rejeitou aquelas que concordavam com a Vulgata Católica.
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É indiscutível que Erasmo conhecia todas as variantes textuais que hoje conhecemos, tendo-as organizado em duas classes principais, correspondentes à edição Complutense e ao manuscrito Vaticano (Nolan, pp. 413, 419).
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Kenneth W. Clark afirmou: “Não devemos atribuir a Erasmo a criação de um ‘texto recebido’, mas apenas a transmissão, em forma impressa, de um texto manuscrito já amplamente aceito” (The Gentile Bias and Other Essays, p. 168).
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Erasmo declarou no prefácio que consultou os manuscritos mais antigos e melhores (Hotchkiss & Price, p. 100). Disse que seu texto era “solidamente fundamentado” (de Jonge, 1984, p. 400).
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Ele ainda confirmou seu texto grego por meio das citações bíblicas encontradas nos escritos dos primeiros Pais da Igreja. Seu texto é tão consistente porque dedicou os primeiros quinze anos de seus estudos quase exclusivamente à tradução dos escritores cristãos dos primeiros séculos. Nessas obras dos séculos II, III e IV encontram-se leituras bíblicas que frequentemente antecedem em centenas de anos os manuscritos Vaticano e Sinaítico. Como teólogo, Erasmo conhecia a origem das omissões heréticas e observou que, “em muitos lugares, ainda permanecia o vírus de Marcião” (Bainton, p. 264).
Fonte e Créditos
Este artigo foi traduzido e adaptado a partir do texto original publicado no site Textus Receptus Bibles, no artigo “What is the Textus Receptus?”.
Fonte original:
https://www.textusreceptusbibles.com/Editorial/ErasmusAcesso em: 16 jan. 2026.
Postado no blogger por:
PR. Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia John Wycliffe — Pesquisador
São Bernardo do Campo – São Paulo, Brasil
📧 kleitonfonseca10@gmail.com
🔗 ORCID: https://orcid.org/0009-0006-3665-5924
📅 Publicado em: 2025Tradução, adaptação e edição: Pr. Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia Reformada John Wycliffe



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