A FAMÍLIA DENTRO DO PLANO DE DEUS Mateus 19.3-9 Leandro Lima
A FAMÍLIA DENTRO DO PLANO DE DEUS
Leandro Lima
INTRODUÇÃO
Por que será que hoje a instituição família está tão desacreditada? Quantos divórcios acontecem no Brasil por ano? Nos Estados Unidos, estatísticas não muito recentes indicam que cerca de um milhão de divórcios acontecem todo ano! Imagine o estrago que isso causa. Em um milhão de divórcios se envolvem dois milhões de pessoas e vários milhões de filhos e parentes. De fato, é difícil, hoje em dia, achar alguém que nunca tenha se envolvido, ou sido afetado por uma situação de divórcio.
Há muitas coisas que podem explicar essa alarmante taxa de separações e desintegrações familiares, mas o principal motivo é: a família deixou de ser importante. A mentalidade humana da era atual não vê muitas vantagens em se formar uma família estável e de acordo com o padrão de Deus. Com respeito a isso, não são poucos que afirmam que a instituição família no modelo tradicional como o conhecemos (marido, mulher e filhos) é algo recente, principalmente da cultura dos últimos séculos, sendo que nos seus primórdios os homens viviam de forma livre e desimpedida, relacionando-se uns com os outros de uma forma despreocupada. É claro que não concordamos com esse pensamento, e por isso nessa lição queremos estudar a origem da família dentro do plano de Deus. Queremos provar com isso que Deus criou a família, pois tem planos grandiosos para ela.
I. A FAMÍLIA: UM MODELO DO RELACIONAMENTO TRINITÁRIO
Não é de hoje que os homens querem diminuir a importância da família. Os fariseus já lutavam por esta causa. No texto de Mateus 19.3, lemos que um grupo deles se aproximou de Jesus com o fim de o experimentar, e perguntaram se era lícito um homem, por qualquer motivo repudiar sua mulher. Na resposta que Jesus lhes deu, duas vezes ele fez alusão ao “princípio” (v. 4 e 8). Primeiro ele disse que no princípio Deus criou o homem e a mulher para se casarem e serem uma só carne e não deviam se separar. Com essa resposta Jesus deixou claro que a família não é uma invenção recente, mas que estava na mente do Criador “desde o princípio”. Depois, quando os fariseus citando a Lei disseram que Moisés permitiu o divórcio, Jesus disse que aquilo havia acontecido por causa da dureza do coração dos homens, mas que não havia sido assim “no princípio”. Será interessante voltarmos a este princípio a fim de aprendermos mais um pouco sobre a origem da família. Em Gênesis 1.26-27 está escrito: “Também disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra. Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Este texto se refere ao princípio de que Jesus falou. Note que Deus disse: “façamos o homem à nossa imagem”. Com quem Deus estava falando? Com os anjos? Certamente que não. Os anjos não são co-criadores, e além disso em lugar algum a Bíblia diz que o homem foi feito à imagem dos anjos. Deus estava falando consigo mesmo, dentro da Trindade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo estavam conversando entre si sobre como criariam o homem. E note que o Deus único que subsiste em três pessoas decidiu criar o homem segundo a sua imagem. Muita coisa tem sido dita com respeito a essa “imagem e semelhança” divinas que foram impressas no homem. A melhor explicação é a do espelho. O homem funciona como um espelho que reflete o caráter e os atributos divinos. Então, de alguma forma, o casamento da maneira como é descrito em Gênesis 2.24 “por isso deixa o homem pai e mãe, e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” precisa refletir o caráter divino. O que estamos querendo dizer é que o casamento é um modelo do relacionamento dentro da Trindade. Deus idealizou que homem e mulher em seu relacionamento espelhassem o relacionamento da Trindade Santíssima. E como é o relacionamento da Trindade? Em muitos aspectos sobrepassa o nosso entendimento, mas Jesus deixou transparecer um pouco de como funcionavam as coisas dentro da Trindade. Ele disse em oração ao Pai: “eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste” (Jo 17.4). Então, há cooperação dentro da Trindade, e também há confiança. Ele disse também “glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.5). Note que relacionamento maravilhoso, Ele disse: junto de ti eu tinha glória. Jesus continua: “todas as minhas cousas são tuas e as tuas cousas são minhas” (Jo 17.10). Isso nos fala da maravilhosa comunhão que há dentro da Trindade. Quando Jesus pede que o Pai proteja os discípulos, ele diz: “guarda-os em teu nome que me deste” (Jo 17.11). O Filho tem o nome do Pai, que se refere ao poder do Pai e à autoridade do Pai. Jesus ainda fala nessa oração da unidade que há entre o Pai e o Filho (v. 21-23), e do amor com que o Pai tem amado o Filho (24,26). Todo esse amor, segurança, confiança e comunhão que há dentro da Trindade, Deus idealizou para a família, quando disse: “façamos o homem a nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.
II. A FAMÍLIA: O MODO DIVINO DE POVOAR A TERRA COM SEGURANÇA
Certamente que a família não é uma invenção cultural recente. Ela estava dentro do plano de Deus desde o princípio, como Jesus deixou bem claro em sua resposta aos fariseus. Deus não criou a terra para que permanecesse vazia, Deus queria que ela fosse povoada pelo homem, que o espelharia sobre a criação. E o modo como Deus povoaria a terra com segurança e responsabilidade seria através da família. Gênesis 1.28 diz: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”. Deus não pretendia que o homem fosse como os animais, mas que fosse diferente, por ser a coroa da criação, então, o desenvolvimento da raça humana precisava ser de forma ordeira e podemos até dizer “controlada”. Veja que antes de Deus ordenar ao homem e a mulher que se multiplicassem Ele os abençoou. Abençoar não é somente dar um presente, mas neste caso, uma função e demonstra todo o interesse que o Criador tem nessa função. É como se Ele estivesse dizendo: “a função que eu estou dando para vocês é muito importante. Vocês devem fazer com toda a responsabilidade e segurança”. É por isso também que Deus disse: “não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea” (Gn 2.18). O homem poderia encontrar muito auxílio nos animais criados, como até hoje os usa em muitos serviços, mas nenhum animal poderia ser uma auxiliadora “idônea”. A palavra idônea significa “oposta”, mas não no sentido de inimizade, e sim de complemento, isto é, correspondente a ele. Certamente, Deus ao fazer a mulher estava pensando nos filhos também. Pai e mãe são igualmente necessários na criação dos filhos. Deus planejou que fosse desse jeito. Pai e mãe participam da criação e da educação dos filhos no caminho do Senhor. Deuteronômio 6:6-9 diz “Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. Também as atarás como sinal na tua mão, e te serão por frontal entre os olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas”. Note como o ambiente do lar deve ser um ambiente de aprendizado na Palavra de Deus. Por isso a família é tão importante. Ela está no plano de Deus desde o princípio e foi o modo seguro que Deus decidiu usar a fim de que o homem se multiplicasse na terra.
III. A FAMÍLIA: PROTÓTIPO DA FAMÍLIA DE DEUS
Ainda não terminamos nossas considerações a respeito da origem divina e da importância da família. Há ainda algo que queremos demonstrar. O relacionamento de Deus com o seu povo é figuradamente um relacionamento familiar. Paulo, por exemplo, eleva o casamento em seu mais alto nível ao comparar o amor entre marido e mulher com o de Cristo e sua Igreja. Para as mulheres ele disse “como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo submissas a seus maridos” (Ef 5.24). E aos maridos ele disse “amai vossas mulheres como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Veja, Cristo e Igreja, marido e mulher possuem um relacionamento parecido. A mesma segurança e amor abnegado que Cristo dá à Igreja, o marido deve dar a mulher, e a mesma fidelidade e dedicação que a Igreja deve ter para com Cristo, também a mulher deve votar a seu marido.
Mas, não é só isso. O próprio relacionamento do crente com Deus é inspirado onde? Na família. Os crentes são chamados “filhos de Deus” (Jo 1.12). Cristo disse que nosso Pai verdadeiro é aquele que “está no céu” (Mt 23.9). E disse também que sua família era composta daqueles que faziam a vontade de Deus (Mc 3.31-35). Em Efésios 2.19 é dito aos crentes: “assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois da família de Deus”. Esta intimidade que há entre Deus e seu povo, esta consideração, esta pureza tem seu protótipo na família. É por isso que Paulo falando da santidade que deve haver entre os crentes cita o Antigo Testamento “Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso” (2Co 6.16-18).
A família tipifica a Família de Deus e é mesmo a sua principal estrutura. É na família que a educação cristã começa, e é nela que os homens são criados com responsabilidade e temor a Deus. Quão importante e necessária é a família!
CONCLUSÃO
A família não é uma invenção cultural moderna e desnecessária. Desde o princípio ela esteve no plano de Deus e servia a seus propósitos. É maravilhoso ver na Escritura o desenvolver desse plano. Devemos honrar a família, pois assim estaremos honrando a Deus.
Este artigo não é de autoria própria.
O conteúdo foi escrito por **Leandro Lima** e extraído de material didático do **Instituto Reformado de São Paulo (IRSP)**, utilizado em contexto acadêmico para fins de ensino teológico.
Todos os direitos autorais pertencem ao respectivo autor e à instituição responsável pela publicação original. Este conteúdo está sendo compartilhado com finalidade exclusivamente educativa e edificativa.
Considerações Finais (Comentário Kleiton Fonseca)
À luz do que foi exposto, torna-se inegável que a família ocupa um lugar central e insubstituível no plano eterno de Deus. Longe de ser uma construção cultural transitória ou uma convenção social adaptável às tendências de cada época, a família é uma instituição de origem divina, estabelecida “desde o princípio”, conforme o próprio ensino de Cristo em Mateus 19.
O estudo demonstrou que a família não apenas tem sua origem em Deus, mas também reflete aspectos profundos do seu próprio ser. Como modelo do relacionamento trinitário, o casamento revela, ainda que de forma limitada, valores como unidade, amor sacrificial, comunhão e cooperação. Essa perspectiva eleva a compreensão do matrimônio para além de uma simples união humana, apresentando-o como uma expressão visível de uma realidade espiritual mais elevada.
Além disso, ficou evidente que a família é o meio estabelecido por Deus para a perpetuação ordenada da humanidade. Ao instituir o casamento e ordenar a multiplicação, o Criador não apenas garantiu a continuidade da vida, mas também definiu um ambiente seguro, responsável e espiritualmente orientado para a formação das futuras gerações. Nesse contexto, o lar assume um papel essencial como espaço primário de instrução, disciplina e transmissão dos valores do Reino de Deus.
Por fim, ao compreender a família como protótipo da própria família de Deus, somos levados a perceber que ela possui não apenas uma função social, mas também redentiva e pedagógica. A linguagem bíblica que descreve os crentes como filhos de Deus reforça que os vínculos familiares terrenos apontam para uma realidade espiritual maior: a comunhão entre Deus e o seu povo.
Diante disso, a crise contemporânea da família não deve ser vista apenas como um fenômeno social, mas como um reflexo do afastamento dos princípios divinos. A desvalorização da família implica, inevitavelmente, na distorção do propósito estabelecido por Deus.
Portanto, somos chamados não apenas a reconhecer a importância da família, mas a restaurá-la à luz das Escrituras. Honrar a família é, em última instância, honrar o próprio Deus, que a instituiu com sabedoria e propósito eterno.
Postado no blogger por:
Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia John Wycliffe — Pesquisador
São Bernardo do Campo – São Paulo, Brasil
📧 kleitonfonseca10@gmail.com
🔗 ORCID: https://orcid.org/0009-0006-3665-5924
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