Você sabe por que crê naquilo em que crê?

 


Você sabe por que crê naquilo em que crê?

Uma reflexão sobre a necessidade de uma fé fundamentada nas Escrituras

Uma das maiores crises que talvez eu tenha enfrentado em minha caminhada cristã foi a dificuldade de compreender, de maneira concreta, a minha própria fé. É claro que nunca deixei de crer em Cristo. Minha dificuldade não estava necessariamente em confessar Jesus como meu Senhor e Salvador, mas em compreender aquilo que estava ao redor dessa fé: as doutrinas, as práticas e os ensinamentos que me foram apresentados como fundamentos da vida cristã.

Logo no início da minha caminhada, eu fazia parte de uma igreja extremamente legalista. Ali, ensinava-se que determinadas roupas e comportamentos eram pecaminosos. Usar bermudas, mulheres vestirem calças, usar maquiagem, assistir à televisão e jogar bola eram algumas das práticas condenadas. Essas proibições eram apresentadas como parte da ortodoxia daquela instituição, como se fossem exigências estabelecidas pelo próprio Deus em sua Palavra.

O mais interessante é que tais doutrinas eram praticadas e defendidas como se fossem indiscutivelmente bíblicas. Entretanto, muitos dos membros sequer se dedicavam a examinar as Escrituras para verificar se aquelas imposições realmente correspondiam ao ensino da Palavra de Deus.

A Bíblia, porém, nos adverte sobre o perigo de transformar preceitos humanos em mandamentos divinos. Jesus, ao repreender os fariseus, declarou:

“Em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. Porque, deixando o mandamento de Deus, retendes a tradição dos homens.” (Marcos 7:7-8).

O problema denunciado por Jesus não era simplesmente a existência de tradições, mas o fato de que os preceitos humanos ocupavam o lugar da autoridade divina. Quando uma instituição impõe suas próprias regras como se fossem mandamentos de Deus, ela ultrapassa os limites de sua autoridade e pode colocar sobre a consciência dos cristãos um peso que o próprio Senhor não colocou.

O apóstolo Paulo também advertiu os colossenses contra práticas religiosas que possuíam aparência de sabedoria, mas estavam fundamentadas em preceitos e doutrinas humanas. Em Colossenses 2:20-23, ele questiona a submissão a ordenanças como “não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro”, mostrando que tais prescrições, embora pudessem apresentar aparência de rigor religioso, não tinham poder suficiente para transformar verdadeiramente o coração humano.

É importante compreender que nem toda disciplina eclesiástica ou orientação pastoral constitui legalismo. A igreja possui responsabilidades de ensino, cuidado e disciplina. O problema surge quando regras humanas são elevadas à condição de mandamentos divinos sem fundamento legítimo nas Escrituras, ou quando a observância dessas regras passa a ser tratada como medida da espiritualidade de alguém.

Foi nesse ambiente que comecei a perceber algo que considero extremamente importante: embora a fé fosse professada em Jesus Cristo, aquilo que proporcionava segurança a muitos de nós nem sempre era o que a Bíblia efetivamente ensinava, mas aquilo que praticávamos e as regras que cumpríamos.

Não era incomum ouvir algum irmão afirmar: “Nossa igreja é diferente; seguimos a sã doutrina dada ao homem de Deus”. Observe a maneira como essa afirmação era construída. A segurança parecia estar depositada na instituição, na tradição recebida e na autoridade de determinado líder. A questão principal não era necessariamente: “Onde a Escritura ensina isso?”, mas: “O que a nossa igreja ensina sobre isso?”.

Assim, corríamos o risco de desenvolver uma fé institucional sem perceber que estávamos fazendo isso. Falávamos de Jesus, frequentávamos os cultos, participávamos das atividades religiosas e defendíamos aquilo que havíamos aprendido. Contudo, nem sempre sabíamos explicar biblicamente por que acreditávamos em determinadas doutrinas ou por que considerávamos certas práticas obrigatórias para todos os cristãos.

E aqui precisamos fazer uma distinção: não estou dizendo que toda pessoa que frequenta uma igreja possui uma fé falsa, nem que devemos desprezar o ensino recebido de nossos pastores e irmãos. A igreja é um instrumento estabelecido por Deus para o ensino e a edificação de seu povo. O problema está em receber qualquer ensinamento sem examiná-lo à luz da Palavra de Deus, como se a autoridade de uma instituição fosse suficiente para tornar verdadeira uma doutrina.

A própria Escritura nos apresenta um exemplo admirável de como devemos proceder. Ao falar dos judeus de Bereia, Lucas registra:

“Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.” (Atos 17:11).

Os bereanos não foram elogiados por aceitarem passivamente tudo o que ouviam. Pelo contrário, receberam a mensagem com disposição, mas examinaram as Escrituras para verificar a veracidade do ensino apostólico. Isso nos ensina que a disposição para aprender e a responsabilidade de examinar aquilo que aprendemos não são atitudes contrárias. Elas devem caminhar juntas.

Se os bereanos examinavam as Escrituras para verificar o que lhes era anunciado, quanto mais nós precisamos cultivar esse mesmo cuidado diante de tantos ensinamentos religiosos que recebemos ao longo da vida!

Quando a tradição ocupa o lugar das Escrituras

Normalmente, uma fé que não está suficientemente fundamentada no ensino bíblico pode nos levar a acreditar em coisas que sequer sabemos explicar. Isso acontece porque, em muitos contextos, existe uma grande ausência de ensino bíblico consistente. Em vez de conhecermos as Escrituras e aprendermos a compreender suas doutrinas, acabamos conhecendo melhor os regulamentos internos, as normas e as diretrizes da instituição religiosa à qual pertencemos.

Em algumas situações, é mais fácil citar o antigo R.I. — Regulamento Interno — do que explicar o que a Bíblia ensina sobre determinado assunto. Sabemos o que é permitido e o que é proibido em nossa comunidade, mas nem sempre sabemos distinguir entre um mandamento bíblico, uma aplicação prudencial, uma tradição denominacional e uma preferência pessoal.

É aqui que mora um grande perigo: acabamos desenvolvendo uma fé sustentada principalmente por aquilo que ouvimos e repetimos, mas que nem sempre compreendemos ou sabemos fundamentar nas Escrituras.

A fé cristã não deve ser reduzida a uma coleção de frases aprendidas, regras memorizadas ou costumes transmitidos de uma geração para outra. Somos chamados a conhecer a verdade revelada por Deus e a crescer na compreensão dela.

Paulo escreveu a Timóteo:

“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (2 Timóteo 3:16-17).

Observe que as Escrituras não são apresentadas apenas como um livro que devemos respeitar ou citar em nossos discursos. Elas são úteis para ensinar, corrigir, repreender e educar na justiça. Em outras palavras, a Palavra de Deus deve formar nosso entendimento, corrigir nossos erros e orientar nossa maneira de viver.

Quando deixamos de conhecer a Bíblia, ficamos mais vulneráveis a aceitar como verdade tudo aquilo que nos é apresentado com uma linguagem religiosa. Podemos defender com grande convicção algo que nunca examinamos cuidadosamente. Podemos até sofrer por uma doutrina, lutar por ela e entrar em conflito com outras pessoas, sem jamais termos compreendido se ela realmente corresponde ao ensino bíblico.

E isso nos conduz a uma pergunta necessária: quantas vezes defendemos determinadas crenças simplesmente porque alguém nos ensinou a defendê-las?

Uma fé que não sabe responder

É nesse contexto que surge o problema de não sabermos por que cremos naquilo em que cremos. Quando alguém nos pergunta por que fazemos isso ou aquilo, nossa resposta, muitas vezes, é simplesmente: “Porque a minha igreja ensina assim”.

Essa resposta pode revelar que ainda não compreendemos suficientemente os fundamentos bíblicos daquilo que defendemos. Não há nada de errado em reconhecer que aprendemos algo por meio de nossa igreja. O problema é quando a afirmação institucional se torna a única justificativa que conseguimos apresentar, mesmo quando a questão envolve uma doutrina que pretendemos afirmar como verdade bíblica.

O apóstolo Pedro nos deixou uma orientação que precisa ser levada a sério por todo cristão:

“Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós.” (1 Pedro 3:15).

Pedro não está dizendo que todos os cristãos precisam se tornar especialistas em teologia ou que devem possuir respostas elaboradas para todas as questões possíveis. O que ele ensina é que devemos estar preparados para apresentar as razões da esperança que possuímos em Cristo, com mansidão e temor.

Nossa fé não deve ser uma crença cega, incapaz de oferecer qualquer explicação sobre aquilo que confessamos. Somos chamados a conhecer o fundamento de nossa esperança e a testemunhar a verdade de maneira responsável.

Isso não significa que compreenderemos perfeitamente todos os mistérios da revelação divina. Há verdades que ultrapassam nossa capacidade de compreensão exaustiva. Entretanto, existe uma diferença entre reconhecer humildemente os limites de nosso entendimento e simplesmente não conhecer os fundamentos daquilo em que afirmamos crer.

Podemos não saber responder a todas as perguntas, mas precisamos estar dispostos a aprender, examinar as Escrituras e corrigir nosso entendimento sempre que necessário.

Agora, pense comigo: quantas pessoas hoje vivem uma situação semelhante? Quantas frequentam igrejas, participam de cultos, defendem suas convicções e, ainda assim, encontram dificuldades quando precisam explicar biblicamente as razões de sua fé?

O choque de descobrir que nem tudo era bíblico

Hoje, com o acesso à internet, livros, cursos e diferentes recursos de estudo, milhares de pessoas estão entrando em contato com ensinamentos que jamais haviam conhecido. Muitas descobrem que determinadas crenças que receberam como verdades bíblicas não possuem o fundamento que imaginavam possuir. Outras começam a questionar práticas que, durante anos, consideraram indispensáveis à vida cristã.

Para algumas pessoas, esse processo é libertador, pois permite que cresçam no conhecimento das Escrituras. Para outras, representa um verdadeiro choque doutrinário. Aquilo que parecia sólido começa a ser questionado, e as certezas construídas ao longo de muitos anos passam por uma profunda revisão.

Em certos casos, o questionamento vai além de regras sobre roupas, costumes ou comportamentos. A pessoa começa a perceber que algumas das próprias doutrinas que aprendeu sobre Deus, a salvação, a igreja e a pessoa de Jesus Cristo precisam ser examinadas novamente.

Afinal, existem muitas concepções sobre Jesus circulando pelo mundo religioso. Entretanto, não basta falar o nome de Jesus para que aquilo que se ensina sobre ele corresponda à verdade. O Cristo que devemos conhecer, confessar e anunciar é aquele que nos foi revelado nas Escrituras. Não podemos substituir o testemunho bíblico por uma imagem de Jesus construída segundo nossas preferências, tradições ou expectativas pessoais.

O próprio Jesus declarou que as Escrituras testificam a seu respeito (João 5:39). Portanto, precisamos permitir que a Palavra de Deus determine quem Cristo é, o que ele realizou e o que significa segui-lo.

É doloroso perceber que passamos anos defendendo determinadas ideias sem saber explicar por que acreditávamos nelas. Mais doloroso ainda é quando descobrimos que algumas dessas convicções contribuíram para conflitos desnecessários, julgamentos precipitados e divisões entre pessoas que professavam a mesma fé cristã.

Quantas igrejas foram divididas por causa de interpretações equivocadas? Quantas famílias sofreram conflitos por causa de imposições religiosas apresentadas como mandamentos de Deus? Quantas pessoas passaram a sentir raiva da igreja porque se sentiram enganadas ao descobrir que aquilo que defenderam durante tanto tempo não possuía o fundamento bíblico que lhes haviam prometido?

Não podemos atribuir todos os conflitos religiosos à falta de conhecimento, pois as divisões também possuem outras causas. Entretanto, não podemos ignorar o sofrimento que surge quando pessoas são ensinadas a defender convicções sem receberem condições adequadas para examiná-las à luz das Escrituras.

Por isso, precisamos aprender a tratar a verdade com seriedade, nossas convicções com responsabilidade e as pessoas com amor.

Você sabe por que crê naquilo em que crê?

Diante de tudo isso, gostaria de convidar você a fazer uma reflexão sincera. Não pense apenas naquilo que aprendeu em sua igreja. Pense no que você realmente compreende e no fundamento bíblico de suas convicções.

Você sabe responder a estas perguntas?

  • Como sou salvo? A salvação é resultado de meus méritos, de minhas obras ou da graça de Deus?

  • Por meio de quem e de que maneira sou salvo? Qual é o lugar de Jesus Cristo em minha salvação, e o que significa confiar nele?

  • Por que me batizei? Qual é o significado bíblico do batismo e o que as Escrituras ensinam a respeito dessa ordenança?

  • Por que vou à igreja? O que a Bíblia ensina sobre a igreja, a comunhão dos santos, a adoração e a necessidade de congregarmos?

  • Por que creio no que creio? Minhas convicções estão fundamentadas no ensino das Escrituras ou apenas naquilo que recebi de minha tradição religiosa?

Essas perguntas deveriam nos conduzir a uma investigação bíblica séria. Não porque todo cristão precise apresentar uma resposta acadêmica para cada uma delas, mas porque são questões fundamentais para compreendermos a vida cristã.

A Bíblia nos ensina que somos salvos pela graça, mediante a fé, e que isso não vem de nós, mas é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie (Efésios 2:8-9). No versículo seguinte, Paulo acrescenta que fomos criados em Cristo Jesus para as boas obras, que Deus preparou para que andássemos nelas (Efésios 2:10).

Esse texto nos ajuda a compreender que as boas obras não são a causa meritória de nossa salvação, mas fazem parte da vida daqueles que foram salvos pela graça. Uma compreensão equivocada desse ensino pode alterar profundamente a maneira como alguém entende a salvação e vive sua fé.

Da mesma forma, o batismo não deve ser compreendido apenas como uma tradição que seguimos porque nossa igreja assim determina. Precisamos conhecer o que as Escrituras ensinam sobre seu significado, sua instituição e sua relação com a vida da igreja. O mesmo princípio se aplica à adoração, à comunhão cristã, à santificação e às demais doutrinas que orientam nossa caminhada.

Não basta saber o que fazer. Precisamos aprender por que fazemos, qual é o fundamento bíblico de nossas práticas e como elas se relacionam com o conjunto do ensino das Escrituras.

Uma doutrina não se torna verdadeira simplesmente porque conseguimos encontrar um versículo que parece apoiá-la. Precisamos considerar o contexto da passagem, a intenção do autor, o lugar daquele texto no livro em que se encontra e sua relação com o restante da revelação bíblica. Afinal, a Palavra de Deus não deve ser utilizada para justificar ideias que já decidimos aceitar; devemos permitir que ela examine, corrija e molde nossas convicções.

Uma jornada que eu mesmo precisei percorrer

Quero compartilhar algo pessoal com você.

Comecei minha caminhada cristã muito cedo, aos 13 anos. Entretanto, foi somente por volta dos 33 anos que passei a compreender, com maior clareza, boa parte das doutrinas bíblicas que fundamentam minhas convicções. Isso não significa que antes eu não cresse em Cristo, nem que não tivesse aprendido coisa alguma durante aqueles anos. Significa que precisei percorrer um longo caminho de estudo, questionamento, revisão e amadurecimento para compreender melhor aquilo que professava.

Houve momentos de crise, dúvidas sobre ensinamentos que havia recebido e dificuldades para conciliar certas práticas religiosas com aquilo que encontrava nas Escrituras. Em diferentes ocasiões, percebi que a ausência de conhecimento doutrinário consistente havia produzido conflitos e inseguranças em minha caminhada.

O problema não era simplesmente a falta de fé em Cristo. Era a falta de compreensão adequada de muitas das doutrinas bíblicas relacionadas à fé que eu professava.

Com o passar do tempo, o estudo das Escrituras tornou-se cada vez mais importante para mim. Aprendi que não deveria me contentar apenas com aquilo que me diziam, mas que precisava examinar os textos bíblicos, compreender seus contextos e buscar uma visão coerente do ensino da Palavra de Deus.

Ainda tenho muito a aprender. O amadurecimento cristão não termina quando alcançamos determinada idade, concluímos um curso ou adquirimos algum conhecimento teológico. Enquanto caminhamos neste mundo, continuamos necessitando da graça de Deus, da iluminação do Espírito Santo, do ensino fiel das Escrituras e da edificação proporcionada pela igreja.

Entretanto, hoje consigo responder com muito mais firmeza às perguntas relacionadas à minha fé. E essa firmeza não está fundamentada na ideia de que nunca mais precisarei rever qualquer entendimento, mas na convicção de que a Palavra de Deus é o padrão pelo qual minhas crenças devem ser examinadas.

Foi uma caminhada longa, e não posso deixar de pensar em quantas crises poderiam ter sido enfrentadas de maneira diferente se eu tivesse recebido, desde o início, um ensino bíblico mais consistente sobre as doutrinas da fé cristã.

É justamente por isso que desejo compartilhar essas reflexões com você. Talvez minha experiência possa ajudá-lo a percorrer essa jornada com mais clareza, responsabilidade e segurança bíblica.

Um convite ao crescimento no conhecimento

Este artigo é o início de uma série de reflexões que tem como objetivo ajudar cristãos a compreenderem melhor a fé que professam, examinarem suas convicções à luz das Escrituras e aprenderem a responder, de maneira simples e fundamentada, às perguntas relacionadas à vida cristã.

Não escrevo com o propósito de estimular desconfiança indiscriminada em relação às igrejas, aos pastores ou às tradições cristãs. Também não pretendo sugerir que todo cristão precise dominar a teologia sistemática para possuir uma fé verdadeira. Meu propósito é chamar a atenção para uma necessidade que considero fundamental: precisamos conhecer melhor a Palavra de Deus e compreender as doutrinas que ela nos ensina.

Uma igreja saudável não deve temer que seus membros examinem as Escrituras. Pelo contrário, deve incentivá-los a crescer no conhecimento da verdade, oferecendo ensino fiel, orientação pastoral e condições para que amadureçam na fé.

Também precisamos ter humildade para reconhecer que podemos estar equivocados em algumas de nossas interpretações. Examinar nossas convicções não significa necessariamente abandonar a fé, mas buscar compreender com maior fidelidade aquilo que Deus revelou.

Se você descobrir que alguma crença sua não possui fundamento bíblico suficiente, não encare essa descoberta apenas como uma ameaça. Considere-a uma oportunidade de crescimento. A correção pode ser dolorosa, especialmente quando envolve ensinamentos que recebemos de pessoas queridas e instituições às quais dedicamos muitos anos de nossa vida. Ainda assim, nossa fidelidade deve estar submetida à verdade da Palavra de Deus.

O apóstolo Pedro encerra sua segunda carta com uma exortação que continua necessária para todos nós:

“Antes, crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, tanto agora como no dia eterno.” (2 Pedro 3:18).

Observe que Pedro não nos chama apenas a crescer em conhecimento, mas a crescer na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O conhecimento cristão não deve alimentar o orgulho, a arrogância ou o desprezo por aqueles que sabem menos. Deve contribuir para nosso amadurecimento, nossa santidade, nosso amor à verdade e nossa capacidade de servir melhor a Deus e ao próximo.

Meu desejo é que esta série possa contribuir para esse crescimento. Quero caminhar com você por questões fundamentais da fé cristã, examinando o que as Escrituras ensinam e procurando compreender como suas doutrinas se relacionam com a vida que fomos chamados a viver.

Talvez você já tenha passado por crises semelhantes às que enfrentei. Talvez esteja começando agora a questionar alguns ensinamentos que recebeu. Ou talvez nunca tenha parado para refletir profundamente sobre as razões de suas convicções.

Independentemente de onde você esteja nessa jornada, gostaria de lhe fazer um convite: não se contente apenas em repetir aquilo em que acredita. Procure conhecer as razões bíblicas de sua fé. Examine as Escrituras. Faça perguntas. Busque orientação de cristãos maduros e de líderes comprometidos com a Palavra de Deus. E esteja disposto a corrigir seu entendimento sempre que a verdade das Escrituras assim exigir.

Você não precisa percorrer o mesmo caminho difícil que eu percorri, nem esperar tantos anos para começar a compreender melhor sua fé.

Afinal, a pergunta que dá título a esta reflexão continua diante de nós:

Você sabe por que crê naquilo em que crê?

Que Deus nos conceda graça para conhecer sua Palavra, discernimento para examinar nossos caminhos e humildade para crescer no conhecimento de Jesus Cristo.

Soli Deo Gloria.

Kleiton Fonseca.

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