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Deus e o Pecado: A Questão da Autoria do Mal

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  Deus e o Pecado: A Questão da Autoria do Mal Por Kleiton Fonseca 🔗 ORCID : https://orcid.org/0009-0006-3665-5924     A existência do pecado constitui uma das questões mais difíceis de toda a teologia cristã. Se Deus é soberano sobre todas as coisas, se nada acontece fora de seu governo providencial e se ele possui poder absoluto para impedir qualquer acontecimento, por que o pecado existe? Por que Deus permitiu a entrada do mal no mundo? E, em uma formulação ainda mais difícil, se Deus decretou soberanamente tudo quanto acontece, isso não faria de Deus, de alguma maneira, o autor do pecado? (Dt 32.4; Sl 115.3; Is 46.9-10; Ef 1.11) Essas perguntas não são meramente exercícios de filosofia abstrata. Elas surgem diante da realidade concreta do sofrimento humano. Aparecem quando contemplamos a violência, a injustiça, a morte, a corrupção, a traição e todas as consequências da queda. (Gn 3.16-19; Rm 5.12; Rm 8.20-22) Tornam-se ainda mais difíceis quando lembramos que a te...

A Pedra que Deus Não Pode Levantar: O Paradoxo da Onipotência e os Limites da Linguagem

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  A Pedra que Deus Não Pode Levantar: O Paradoxo da Onipotência e os Limites da Linguagem Por Kleiton Fonseca 🔗 ORCID : https://orcid.org/0009-0006-3665-5924     A doutrina da onipotência divina ocupa lugar central na teologia cristã porque afirma algo fundamental acerca de Deus: não existe poder superior ao seu, nem criatura capaz de limitar sua vontade soberana. Deus não recebe poder de nenhuma fonte exterior, não depende de condições previamente estabelecidas por outro ser e não encontra resistência capaz de frustrar definitivamente os seus decretos. As Escrituras apresentam o Senhor como aquele que faz tudo quanto lhe apraz, diante de quem nenhum propósito pode ser impedido e cuja vontade soberana governa todas as coisas. Entretanto, justamente por ser uma afirmação tão abrangente, a onipotência de Deus frequentemente é colocada diante de objeções filosóficas que procuram demonstrar alguma suposta contradição no conceito de um Deus todo-poderoso. Entre essas objeçõe...

Capítulo 5 — As Filhas de Filipe: Profetisas, mas não Pastoras

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  Grandes Mulheres da Igreja: Fé, Sabedoria e Serviço sem Exercer o Ofício Pastoral Capítulo 5 — As Filhas de Filipe: Profetisas, mas não Pastoras Por Kleiton Fonseca  🔗 ORCID : https://orcid.org/0009-0006-3665-5924     Instituto de Teologia Reformada John Wycliffe 1. Introdução Em uma única frase, quase incidental, o livro de Atos registra um dos dados mais intrigantes de toda a sua narrativa: "Ora, tinha este quatro filhas virgens, que profetizavam" (At 21.9). O "este" é Filipe, um dos sete escolhidos em Atos 6 para servir às mesas e que se tornaria, pouco depois, um dos primeiros evangelistas itinerantes da Igreja primitiva (At 8.4-40). Suas quatro filhas, anônimas — Lucas não registra nenhum de seus nomes —, aparecem apenas nesta única passagem, hospedando Paulo em sua última viagem a Jerusalém. Nenhuma outra passagem do Novo Testamento as menciona. E, no entanto, poucas frases bíblicas concentraram tanto peso em tão poucas palavras no debate contemporân...

Capítulo 4 — Maria e o Apostolado: Muitas Chamadas ao Serviço, Nenhuma ao Ofício

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  Grandes Mulheres da Igreja: Fé, Sabedoria e Serviço sem Exercer o Ofício Pastoral Capítulo 4 — Maria e o Apostolado: Muitas Chamadas ao Serviço, Nenhuma ao Ofício Por Kleiton Fonseca   🔗 ORCID : https://orcid.org/0009-0006-3665-5924   Instituto de Teologia Reformada John Wycliffe 1. Introdução Nenhuma mulher na história da redenção recebeu honra comparável à de Maria de Nazaré. Escolhida, entre todas as mulheres de Israel, para gerar em seu próprio corpo o Verbo encarnado, saudada pelo anjo Gabriel como "agraciada" (Lc 1.28) e por sua parenta Isabel como "bendita... entre as mulheres" (Lc 1.42), Maria ocupa um lugar sem paralelo em toda a narrativa bíblica. Ela está presente no início do ministério de Jesus, em Caná (Jo 2.1-11); está presente ao pé da cruz, no momento mais sombrio da história da redenção (Jo 19.25-27); e está presente, ainda, no cenáculo, orando com os discípulos entre a ascensão e Pentecostes (At 1.14) — a última menção que o Novo Testam...