Educação no Mundo Bíblico: Fundamentos Históricos e Teológicos
Educação no Mundo Bíblico:
Fundamentos Históricos e Teológicos
Introdução
Falar sobre educação é, inevitavelmente, falar sobre formação de identidade, transmissão de
valores e construção de cosmovisão. Em todas as culturas do mundo antigo, educar nunca
significou apenas transmitir informação, mas moldar o caráter, formar cidadãos e perpetuar
tradições. Quando olhamos para as Escrituras, percebemos que a educação ocupa um lugar
ainda mais elevado: ela se torna instrumento da revelação divina e meio pelo qual Deus
preserva sua aliança através das gerações.
Na perspectiva bíblica, a educação não é meramente institucional, mas profundamente
relacional e espiritual. Antes de existir qualquer sistema escolar formal em Israel, já existia a
responsabilidade pactual da família em ensinar os feitos do Senhor (Dt 6:6–9). A própria
palavra hebraica torah ( ּתֹוָרה ), frequentemente traduzida como “lei”, carrega o sentido primário
de instrução, direção e ensino. Isso revela que, no coração da fé bíblica, está a ideia de um Deus
que ensina o seu povo e de um povo chamado a aprender, guardar e transmitir.
O artigo que estudaremos, extraído do Dicionário Bíblico Lexham (Conciso), oferece uma
análise histórica e cultural ampla sobre os sistemas educacionais do Antigo Oriente Próximo,
do mundo judaico e do contexto greco-romano. Ele nos ajuda a compreender que a formação
bíblica aconteceu em diálogo — e, muitas vezes, em contraste — com os modelos educacionais
de seu tempo. Entender esse pano de fundo amplia nossa percepção sobre textos como
Gálatas 3:24, 2 Timóteo 3:16 e Atos 4:13, permitindo-nos enxergar nuances culturais que
enriquecem nossa leitura bíblica.
Ao estudarmos este material, devemos ter dois objetivos claros. Primeiro, compreender
historicamente como o conhecimento era transmitido no mundo bíblico. Segundo, refletir
teologicamente sobre como a educação sempre esteve ligada a poder, autoridade, status e
influência — e como o evangelho ressignifica essas categorias. A educação cristã, portanto,
não visa apenas formar intelectos, mas transformar corações à imagem de Cristo.
Que este estudo nos ajude a perceber que educar, à luz das Escrituras, é participar do projeto
redentor de Deus, formando discípulos que conhecem a verdade, vivem eticamente e
transmitem fielmente o depósito da fé às próximas gerações.
A INTRODUÇÃO ACIMA É DE AUTORIA DO PR. KLEITON FONSECA.
O CONTEÚDO A SEGUIR É REPRODUÇÃO DO VERBETE “EDUCAÇÃO”, DE JOSHUA T. HÉBERT, EXTRAÍDO DO DICIONÁRIO BÍBLICO LEXHAM (CONCISO), TRADUZIDO POR ROGÉRIO PORTELL ET AL.,
PUBLICADO PELA LEXHAM PRESS (2021).
O TEXTO É UTILIZADO PARA FINS EXCLUSIVAMENTE DIDÁTICOS.
Instituto de Teologia Reformada John Wicliffe
Educação
(VERBETE DO DICIONÁRIO BÍBLICO LEXHAM – 2021)
Educação Examina os modos pelos quais as pessoas no mundo antigo adquiriam
conhecimento e transmitiam ensinamentos sobre sabedoria e um viver ético.
Relevância bíblica
Na Bíblia, a educação é uma das principais maneiras de descrever como se aprende a piedade,
o conhecimento de Deus e o entendimento da sabedoria.
Educação no Antigo Testamento
A imagem de educação que o apresenta está centrada na lei, que por si só pode ser entendida
como "instrução" ou "ensinamento". Muitos proclamam o papel da lei no ensino da piedade e
na correção de comportamentos errados (e.g., Sl 119).
Deuteronômio 6:7 atribui a responsabilidade de educar os nos caminhos da às famílias, em
vez de a um sistema de educação formalmente estabelecido. No entanto, existem poucas
evidências literárias ou que detalham como as famílias instruíam seus filhos em e em uma
vida de acordo com a lei. É provável que Israel tenha adotado as antigas práticas educacionais
de repetição (Dt 6:7–10) e da vara (Pv 13:24; 23:13). Os israelitas provavelmente já entendiam
que Deus e sua disciplina eram o professor final (Pv 3:11; Juízes 3:2).
Educação no Novo Testamento
Assim como no Antigo Testamento, os escritos do enfatizam o papel da educação na
transmissão da de Deus. Desta forma, os escritos do Novo Testamento contêm muitas
referências a palavras relacionadas à educação, incluindo “mestres”, “falsos mestres”,
“instrução”, “aprendizado” e “conhecimento”. Por exemplo, 2 João 1:10–11 convoca os crentesa rejeitar os falsos mestres, enquanto 2 Pedro 3:18 convoca os crentes a “crescer na e no de nosso Senhor e salvador ” (ESV).
A fonte primária em que se encontram a verdade de Deus, o conhecimento e a sabedoria são as
Escrituras. Por exemplo, identifica a "lei" (νόμος, nomos) como detentora do papel educacional de um "mestre escolar" (παιδαγωγός, paidagōgos; Gl 3:24). Ele também afirma que as Escrituras são úteis para ensinar, repreender, corrigir e treinar para a justiça (2 Tim 3:16).
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Duas passagens do Novo Testamento, em particular, oferecem uma percepção a respeito dos
conceitos culturais e seculares de educação no mundo greco-romano do primeiro século:
1. Em Atos, os e , que provavelmente eram instruídos, parecem impressionados com as
habilidades dos , que eram capazes de falar com coragem apesar da falta de instrução (Atos
4:13). Isso indica que, nessa época, a educação das pessoas estava relacionada ao seu
sucesso e autoridade.
2. Paulo explica que ele foi instruído por um dos rabinos mais importantes da época:
Gamaliel (Atos 5:34; 22: 3). Isso indica que Paulo teria sido o apóstolo mais bem-educado e
pode explicar por que Paulo (Saulo) teria tido uma posição tão proeminente na erradicação dos
ensinamentos supostamente heréticos promulgados pela igreja cristã (Atos 9:1–2).
Educação no mundo do antigo Oriente Próximo
A educação no antigo Oriente Próximo teria sido limitada a um pequeno número de indivíduos.
Os membros desse grupo provavelmente eram educados principalmente para atuar em uma
das várias profissões existentes, como a de escriba (Smith, Ancient Education, 35). Esses
indivíduos provavelmente eram escolhidos para a instrução apropriada desde a tenra idade
(Driver, Semitic Writing, 87-90). Embora existam exemplos de meninos de classe baixa sendo
educados, o grupo principal a ser educado teria vindo das classes ricas da sociedade. Não está
claro em que idade os alunos iniciavam seus estudos e quanto tempo levava para que sua
instrução fosse concluída.
As evidências literárias provenientes de e de arquivos fornecem informações sobre a educação
no antigo Oriente Próximo. Além disso, existem algumas referências literárias a atividades
escolares ou ao treinamento de escribas, embora algumas das referências possam ter sido de
natureza satírica ao invés de oferecer relatos históricos precisos (Gadd, Teachers and Students,
36). Entre as descobertas arqueológicas estão as tábuas de prática usadas pelos alunos que
estavam aprendendo a escrever nas escolas de escribas, entre outras ferramentas do ofício
(Williams, “Scribal Training in Ancient Egypt,” 216). Uma grande quantidade de tábuas contendo listas de palavras também foi recuperada, indicando que o uso de listas de palavras, através de
repetição, era o método mais comum empregado na educação antiga. As listas de palavras
provavelmente eram complementadas com o treinamento na tradição, com reverência ao
passado, e com que incentivavam uma vida ética (Ray, “Egyptian Wisdom Literature,” 17–18).
Um diretor dava aulas e sediava a escola em uma parte de sua casa (Crenshaw, Education, ).
Os assuntos provavelmente incluíam , , memorização de obras literárias e treinamento em vários .
Educação formal no Israel pré-monárquico e monárquico
Se os judeus no ou haviam estabelecido escolas formais é algo debatido. As linhas de
pensamento incluem:
• Jamieson-Drake observa que existe pouca evidência antes do século oitavoa.C. de que a
habilidade de escrita era algo generalizado (Jamieson-Drake, Scribes and Schools, ). No entanto,
citando e antropológicas de escrita vindas de cidades intimamente ligadas a , ele sugere que,
após o século oitavoa.C., Jerusalém pode ter sido o polo da educação formal (Jamieson-Drake,
Scribes and Schools, ).
• Driver argumenta que havia métodos avançados de escrita em Israel (Driver, Semitic
Writing, 87–90).
• Smith sugere que deve ter havido algum tipo de sistema formal de educação para e
(Smith, Ancient Education, 237).
• Lemaire argumenta que havia um sistema escolar de amplo alcance em Israel –
argumento apoiado pelas Escrituras, por evidências epigráficas e por comparações com os
sistemas educacionais de outros estados do antigo Oriente Próximo (ver Lemaire, Les Écoles et la formation de la Bible dans l’ancien Israel).
Educação no mundo greco-romano do primeiro século
Os sistemas judaicos de educação do primeiro século diferiam dos sistemas do restante do
mundo greco-romano devido a suas prioridades éticas e teológicas únicas.
Educação helenística
Somente os membros da elite da sociedade greco-romana poderiam concluir a avançada. É
provável que não mais de 10% da população conseguia ler com proficiência, embora grafites
antigos e outros escritos sugiram que muitos mais provavelmente podiam ler ou escrever,
ainda que com algumas limitações (Richards, “Reading, Writing, and Manuscripts,”).
Durante os primeiros anos de suas vidas, os jovens eram educados por parentes ou membros
de suas famílias, embora famílias ricas pudessem contratar professores particulares (Bonner,
Education in Ancient Rome, 10–33). Os alunos poderiam obter ensino superior em escolas que
cobravam para sustentar os professores. Níveis de escolaridade incluíam (Jackson, “Education
and Entertainment,” 3–5):
• Uma escola primária para alunos de 7 a 11 anos
• Estudo secundário sob um gramático dos 12 aos 15 anos
• Estudo avançado sob a tutela de um
geralmente desempenhavam um papel durante todo o processo educacional, principalmente
nos estágios iniciais (Witherington, “Education in the Greco-Roman World,” ).
A era o foco do estudo mais avançado dos , enquanto para os romanos o foco era em retórica.
Apesar dessa diferença, a educação romana era em si uma versão "romanizada" da educação
helenística, ao invés de uma forma de educação inerentemente diferente (Bloomer, The School
of Rome, 11–12). Isso se encaixa na tendência romana de adotar grande parte da . Outros
assuntos estudados incluíam , literatura e linguagem. Embora o principal produto da educação
greco-romana fosse o intelecto desenvolvido, os alunos também eram ensinados várias
virtudes e lições proverbiais sobre como viver a vida (Morgan, Literate Education, 132-41).
Educação judaica
Devido à importância de ler as Escrituras na sinagoga, os judeus no mundo greco-romano eram mais instruídos do que os membros das classes mais baixas da sociedade greco-romana
(Millard, Reading and Writing in the Time of Jesus, 157). Os jovens judeus proeminentes eram
provavelmente orientados por um , muitas vezes renunciando outras oportunidades de
emprego para que toda a sua vida girasse em torno do relacionamento com seu professor.
Conforme registrado no , no e em outros casos da literatura rabínica, os judeus tinham um
sistema para estudar os ensinamentos dos rabinos anteriores e também para interagir com
esses ensinamentos, o que poderia incluir discordância ou modificação das posições
apresentadas. Esse sistema permitia uma interação engajada em relação à interpretação e à
aplicação da Bíblia hebraica. Os métodos de ensino dos rabinos podem ter seguido um formato semelhante de discussão e de debate.
O formato exato da educação judaica no primeiro século é difícil de discernir, pois a maior
parte o conhecimento atual vem da literatura rabínica posterior. O texto de m. 'Abot 5.21
especifica que, aos 5 anos de idade, os meninos judeus podiam começar a instrução nas
Escrituras; aos 10 anos, na ; aos 13, nos mandamentos; aos 15, no Talmude. Uma educação
como essa treinaria o aluno não apenas em assuntos básicos, como leitura, mas também nas
Escrituras e na tradição da interpretação. No entanto, não está claro se esses textos
posteriores retratam o sistema do primeiro século. Também não está claro a partir de qual
ponto deste processo constituía-se a educação formal. A principal teoria é que a instrução na
Mishná aos 10 anos era o início do processo de escolarização formal (Drazin, History of Jewish Education, 69). Uma posição alternativa argumenta que o processo de escolarização formal começava entre as idades de 5 e 6 anos, terminando-se os estudos aos 12 anos (Safrai,
“Education and the Study of Torah,” 952). No período rabínico que se seguiu ao encerramento
do cânon do Novo Testamento, havia uma graduação formal para homens judeus que haviam
completado a educação rabínica que equivalente a uma educação universitária. Nessa época,
os formandos recebiam o título de "rabino", o que lhes dava status de autoridade para
responder a perguntas sobre a lei (Drazin, History of Jewish Education, 71; Smith, Ancient
Education, 241).
Embora exista evidência de que havia alguns edifícios designados (como o bet hamidrash, em
Jerusalém) para que houvesse as aulas das escolas judaicas, a maioria das escolas se reunia
em — principalmente na medida em que a educação judaica se ampliava em seu escopo
(Drazin, History of Jewish Education, 57–66). Inicialmente, as escolas careciam de cadeiras
para os alunos; no entanto, em anos posteriores, um complexo sistema de assentos se
desenvolveu, onde os alunos mais experientes sentavam-se mais perto da frente, enquanto os
alunos mais novos sentavam-se no chão, nos fundos da sala (Drazin, History of Jewish
Education, 70).
Algumas fontes talmúdicas fazia uma distinção entre a casa do livro (bet sefer) e a casa da
aprendizagem (bet talmud), o que sugere que a educação formal era uma entidade distinta
(Safrai, “Education and the Study of Torah,” 950). As opiniões sobre a semelhança entre as
escolas dividem-se em dois campos:
1. A posição maximalista, representada por Drazin, sugere que a maioria das cidades —
embora não todas — tinha uma escola formal (Safrai, “Education and the Study of Torah,”
948–49).
2. A posição minimalista argumenta que as referências talmúdicas à "casa" do ensino são
referências metafóricas que, na verdade, não implicam a existência de um sistema formal de
educação disponível aos judeus (Yinger, “Jewish Education,” ).
Educação e cultura
Em todos as eras do mundo antigo, a educação estava relacionada a status, poder e sucesso
comercial. No mundo greco-romano, em particular, os mais instruídos faziam parte das classes
de elite da sociedade. Somente a elite ou seus servos poderiam esperar ter uma educação
completa, o que separava ainda mais a elite do resto da população.
Status
No mundo do antigo Oriente Próximo, o nível de educação de uma pessoa nem sempre estava
relacionado à sua posição na sociedade. De fato, alguns governantes e outras pessoas de alto
status não teriam sido formalmente educados. No entanto, muitos daqueles pertencentes às
classes altas eram educados. Além disso, aqueles que obtinham educação tinham a
oportunidade de alcançar lugares de destaque como funcionários administrativos (Davies,
Scribes and Schools, 16–17). Assim, aqueles que obtinham educação teriam maior acesso à e
mais oportunidades de interagir com indivíduos de alto escalão.
Em , a educação costumava ter a função de um símbolo de status que estabelecia uma
distinção entre os educados e a massa sem instrução (ou de pouca instrução) do mundo greco-
romano. Como era difícil para aqueles com poucos recursos alcançar uma educação completa,
aqueles que haviam conseguido essa educação se destacariam tanto pelo conhecimento e
treinamento adquiridos quanto por conta causa da posição esperada de status e riqueza. Além
disso, os exames durante os anos de escola eram altamente competitivos, e a conclusão de
uma educação avançada sugere que o aluno havia tido um desempenho excelente ao longo dos
anos de escolaridade (Morgan, Literate Education, 81). Muitos escritores antigos acreditavam
que a educação inevitavelmente levava à virtude ou ao poder (ou a ambos). Embora isso possa
ter sido uma afirmação exagerada, é evidente que a educação era pelo menos um dos
caminhos que atraíam atenção e notoriedade para quem a tinha (Morgan, Literate Education,
142–44).
Impacto político
No antigo Oriente Próximo, muitos escribas eram empregados pelo ou pela classe dominante e frequentemente desenvolviam conhecimento especializado nos assuntos sobre os quais
escreviam. Isso acabou mudando a função dos escribas para consultores de políticos (Smith,
Ancient Education, 34–35). Certos aspectos disso se prolongaram ao longo dos anos, como é
evidente na estreita associação dos escribas com a classe sacerdotal em Israel no Novo Testamento.
Em Roma, aqueles que esperavam se envolver na política precisavam antes, em geral, receber
treinamento em retórica. Muitos dos principais políticos de Roma se destacaram por sua
técnica e habilidade retóricas. Aqueles que assistiam o imperador eram provavelmente
altamente qualificados e educados, embora muitas vezes fossem escravos. Em muitos casos,
os imperadores eram educados por alguns dos principais estudiosos da época — uma prática
que tinha raízes que remontam pelo menos a , que foi orientado por Aristóteles. Além disso, os
retóricos costumavam discutir casos legais (Bonner, Education in Ancient Rome, 260). Todas
essas facetas se combinavam para criar uma situação em que a educação não garantia uma
carreira política ou de serviço estatal, mas em que a educação era um pré-requisito necessário
para essas áreas de serviço (Bloomer, The School of Rome, 195) .
Entre os judeus na do primeiro século, a educação estava ligada ao poder político. Devido à
natureza política e religiosa da lei, estudiosos judeus que eram autorizados a tomar decisões
sobre o que a lei significava provavelmente tomavam decisões legais que afetavam a cultura
política. Como a obtenção dessa autoridade — particularmente no período rabínico após a era
do Novo Testamento — era resultado direto do ensino superior, a educação levou diretamente
ao aumento da autoridade e do poder político.
Impacto comercial
Empresários desde os dias do antigo Oriente Próximo até o período greco-romano contavam
com a experiência dos mais instruídos para manter seus negócios. Isso forneceu um nicho
para escribas instruídos, que forneciam a malha administrativa que sustentava as interações
econômicas. Os escribas instruídos teriam tido, portanto, um imenso impacto nos
empreendimentos comerciais do período, embora nem todos os escritos comerciais exigissem
conhecimentos dos escribas (Byrne, "Refuge of Scribalism", ).
No mundo greco-romano, algumas habilidades (como a de escrever) que antes estavam
intimamente relacionadas à educação não eram mais a carreira principal daqueles que haviam
sido educados. Da mesma forma, alguns conseguiam ler, mas não conseguiam escrever o
suficiente para empreendimentos formais de escrita (Richards, “Reading, Writing, and
Manuscripts”, ; ver a discussão linguística moderna a respeito de estranhezas semelhantes
presentes no mundo moderno em MacDonald , “Literacy in an Oral Environment,” ). Por exemplo, embora Paulo tenha sido altamente instruído no sistema educacional judaico, ele contratou uma com determinadas habilidades para que transcrevesse suas cartas, o que sugere que ele próprio não havia sido treinado nas habilidades técnicas necessárias para escrever (ver Rm 16).
Tal abordagem teria dado base para uma repartição de trabalho e, ao mesmo tempo, garantiria um contexto de sucesso comercial contínuo para aqueles que haviam sido educados, assim como é a repartição de trabalho no sistema educacional moderno.
Recursos especiais para estudos complementares
Bloomer, Martin W. The School of Rome: Latin Studies and the Origins of Liberal Education.
Berkeley: University of California Press, 2011.
Bonner, Stanley F. Education in Ancient Rome: From the Elder Cato to the Younger Pliny.
Berkeley: University of California Press, 1977.
Byrne, Ryan. “The Refuge of Scribalism in Iron I Palestine.” Bulletin of the American Schools of
Oriental Research 345 (2007): 1–31.
Crenshaw, James L. Education in Ancient Israel: Across the Deadening Silence. New York:
Doubleday, 1998.
Davies, Philip R. Scribes and Schools: The Canonization of Hebrew Scriptures. Louisville:
Westminster John Knox, 1998.
Drazin, Nathan. History of Jewish Education from 515 B.C.E to 220 C.E.: During the Periods of
the Second Commonwealth and the Tannaim. Baltimore: Johns Hopkins Press, 1940.
Driver, G. R. Semitic Writing: From Pictograph to Alphabet. London: Oxford University Press,
1948.
Gadd, Cyril John. Teachers and Students in the Oldest Schools. London: School of Oriental And
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Jamieson-Drake, David W. Scribes and Schools in Monarchic Judah: A Socio-Archeological
Approach. The Social World of Biblical Antiquity Series 9. Sheffield: Almond Press, 1991.
Lemaire, Andre. Les Écoles et la formation de la Bible dans l’ancien Israel. Orbis biblicus et
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Martin McDonald. Grand Rapids: Baker Academic, 2013.
Joshua T. Hébert
Hébert, Joshua T. 2021. “Educação”. In Dicionário Bíblico Lexham (Conciso), traduzido por
Rogério Portell, Caio Barrios Medeiros, Danny Charão, Lidiane Cecilio, Renan Lima, Rogério
Portella, e Thiago McHertt. Bellingham: Lexham Press.
Postado no blogger por:
PR. Kleiton Fonseca
Instituto de Teologia John Wycliffe — Pesquisador
São Bernardo do Campo – São Paulo, Brasil
📧 kleitonfonseca10@gmail.com
🔗 ORCID: https://orcid.org/0009-0006-3665-5924



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